Quinta-feira, Junho 13, 2024
Notas Soltas

Vida de jornalista… quando o hotel ficava do outro lado da rua

Em cada viagem há uma história. Um incidente que, no momento em que ocorre, nos transtorna a vida, nos dá um ataque de nervos, mas, que algum tempo depois vira uma história a contar e nos faz rir.

Lembro-me da primeira vez que fui à Alemanha, a uma cidade a cerca de uma hora de Frankfurt (não me perguntem o nome da mesma, sei pronunciá-lo, mas não escrevê-lo). Íamos visitar uma fábrica, a convite da filial portuguesa.

As instruções eram simples e chegaram via fax. Aquela maquineta desconhecida para as gerações mais novas – sim, eu sei, sou uma dinossaura do jornalismo. Deveríamos (eu e uma outra jornalista – creio que do Público) dirigirmo-nos para a praça de táxis, apanhar um táxi para o hotel Sheraton, onde esperaríamos uma hora – o tempo necessário para o representante da filial portuguesa e outro jornalista chegarem do Porto.

Depois de percorrermos uma autêntica maratona dentro do aeroporto – não sei se conhecem o aeroporto de Frankfurt, mas é gigante – de esperarmos pacientemente na fila pela nossa vez, entramos no táxi e pedimos para o taxista nos levar ao hotel Sheraton.

Quando o senhor pediu para repetir pensei que não tinha sido suficientemente clara. Que ele não percebia inglês – sei muito pouco de alemão, apenas saúde, bom dia e obrigada – ou que tinha pronunciado mal as palavras. Mas não. Quando confirmámos que queríamos mesmo ir para o hotel Sheraton o senhor limitou-se a estender o braço para o outro lado da rua e perguntar “aquele?”.

Muito aparvalhadas perguntámos se só havia aquele. A resposta foi positiva. Encabuladas, pedimos desculpa e retirámos a bagagem do porta-malas. No meio disto tudo só pensava que se fosse em Portugal o taxista ter-nos-ia levada a dar a volta ao bilhar grande, cobrado uma taxa exorbitante e deixado do outro lado da rua sem nos apercebermos disso.

Tal como disse no início… em cada viagem há sempre (pelo menos) uma história.

 

Alexandra Costa

Jornalista desde 1996. Adoro viajar, conhecer novas culturas, experimentar gastronomias. Sou viciada em livros e nunca digo que não a uma boa conversa e amo a minha Luna. Defendo que mais vale poucos (e muito bons) amigos do que milhentos conhecidos. E prefiro ver o “copo meio cheio” em detrimento do “copo meio vazio”.

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